Esclerose múltipla: doença autoimune que atinge jovens adultos ainda é pouco conhecida

 

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Especialista reforça a importância do diagnóstico precoce, dos avanços no tratamento e do apoio da família na qualidade de vida dos pacientes

A esclerose múltipla é uma doença neurológica crônica e autoimune que interfere na comunicação entre cérebro e corpo. Ocorre quando as células de defesa do organismo atacam a bainha de mielina, camada que reveste os nervos do sistema nervoso central, provocando uma “interferência” nos sinais que circulam pelo corpo.

Os sintomas são variados e podem incluir fadiga intensa, visão turva, alterações motoras e até manifestações semelhantes a um AVC, tornando o diagnóstico desafiador.

Detectar a doença precocemente é essencial para garantir qualidade de vida. O neurologista da Rede Medical, Marcelo Cabral, ressalta que quanto antes o tratamento começa, mais é possível reduzir sintomas e prevenir complicações como ansiedade e depressão. “O diagnóstico precoce aumenta a expectativa do paciente e permite que ele viva melhor”, afirma.

A esclerose múltipla afeta principalmente adultos jovens, entre 20 e 40 anos, e mulheres têm três vezes mais chances de desenvolver a doença em comparação aos homens, devido a fatores hormonais e genéticos. Estima-se que cerca de 2,5 milhões de pessoas no mundo convivam com a condição.

Nos últimos anos, os avanços na medicina têm transformado a vida dos pacientes. Medicamentos mais eficazes, aprovados pela Anvisa e já disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS), conseguem reduzir a frequência de recidivas e são mais fáceis de administrar.

Antes, muitos precisavam aplicar injeções dia sim, dia não; hoje, há até opções orais, que tornam o tratamento menos desconfortável e mais compatível com a rotina do paciente. Cabral explica que essas terapias permitem que a maioria das pessoas mantenha uma vida ativa, continue estudando, trabalhando e formando família.

O acompanhamento familiar também é determinante. “Quando a família se informa, participa das consultas e oferece apoio, o paciente se sente mais seguro e confiante. Quanto menos estigmas cercarem a doença, melhor será a adesão ao tratamento”, comenta o especialista.

A criação de uma rede de apoio, o incentivo à informação e o enfrentamento do preconceito contribuem para que a doença não defina o estilo de vida do paciente.

Marcelo Cabral reforça que “práticas de autocuidado, como atividade física regular, sono adequado, alimentação equilibrada e controle do estresse, fortalecem a imunidade e colaboram para o tratamento”. Ele alerta ainda que “calor excessivo, tabagismo, álcool e níveis elevados de estresse podem piorar os sintomas, por isso manter hábitos saudáveis é fundamental para quem convive com a esclerose múltipla”.

Regina Trindade